Green bonds: o que são e como adquirir?

Publicado por Avenue em dezembro 23, 2020 | Atualizado em fevereiro 22, 2021
Tempo de leitura: 9 minutos

Consciência, responsabilidade e desenvolvimento sustentável. Em nossa visão, esses fundamentos podem apresentar uma importância cada vez maior na trajetória econômica, orientando políticas de investimentos públicos e privados. Por isso, aproveitamos o momento para falar dos Green Bonds.

O nosso objetivo é trazer esses títulos ao seu campo de visão, demonstrando as razões que podem fazer com que você fique antenado na performance desses ativos nos próximos anos. Mas, antes, precisamos explicar sobre os ETFs do bem que são lastreados em Green Bonds.

A proposta dos ETFs

Os ETFs pode ser um dos ativos mais procurados no mercado financeiro. Caso não lembre, vale destacar que os ETFs funcionam como se fossem uma cesta de ativos e podem ser compostos por um conjunto de ações, títulos da renda fixa, índices, moedas e afins.

Assim, com os ETFs o investidor pode selecionar uma cesta que reúne ações de um mercado específico ou com algum propósito em comum. Os ETFs podem ser compostos por bonds, que são títulos de dívida. Um dos exemplos mais populares nessa categoria é o TFLO, o iShares Treasury Floating Rate Bond.

Nesse sentido, existe a possibilidade de o investidor escolher um ETF, que tenha um vínculo com a sustentabilidade, por exemplo, com uma cesta composta por Green bonds — também conhecida por ETFs do bem. A classe recebe esse nome caricato por reunir ETFs voltados exclusivamente às empresas e iniciativas com fundamentos ESG — sigla que abrevia Environmental, Social and Governance.

Tecnicamente, um investimento ESG deve comprovar seu compromisso corporativo, ambiental e social em todas as esferas da sua atuação. Para conseguir esse reconhecimento, há uma longa jornada de considerações, metas e méritos — atendendo, portanto, as expectativas de quem busca diversificar sua carteira, investindo em ativos voltados à sustentabilidade e desenvolvimento ambiental.

Os investidores devem considerar cuidadosamente os objetivos, riscos e encargos e despesas de um fundo mútuo ou Fundo Negociado em Bolsa (“ETF”) antes de investir. Antes de investir em qualquer fundo mútuo ou ETF, considere seu objetivo, riscos, encargos e despesas de investimento.

Importante lembrar, ainda, que os ETFs estão sujeitos à flutuação do mercado e aos riscos de seus investimentos subjacentes. Os ETFs estão sujeitos a taxas de administração e outras despesas. Diferentemente dos fundos mútuos, as ações da ETF são compradas e vendidas pelo preço de mercado, que pode ser maior ou menor que o seu NAV, e não são resgatadas individualmente do fundo. Os retornos do investimento variam e estão sujeitos à volatilidade do mercado, de modo que as ações de um investidor, quando resgatadas ou vendidas, podem valer mais ou menos do que seu custo original.

Os ETFs estão sujeitos a riscos semelhantes aos das ações. Além disso, alguns fundos negociados em bolsa especializados podem estar sujeitos a riscos adicionais de mercado. Os produtos negociados em bolsa alavancada e inversa não são projetados para comprar e manter investidores ou investidores que não pretendem gerenciar seus investimentos diariamente. Esses produtos são para investidores sofisticados que entendem seus riscos (incluindo o efeito da composição diária dos resultados de investimentos alavancados) e que pretendem monitorar e gerenciar ativamente seus investimentos diariamente.

As transformações provocadas pela consciência ambiental

Da forma como percebemos, tudo aponta para um futuro mais sustentável. Diferente do que muitos pensam, a transição para a responsabilidade ambiental vai muito além de razões isoladas, pois é formada por uma combinação de fatores sociais, científicos, econômicos, industriais e políticos.

Com isso em mente, aproveitamos o momento para explicar a composição de um ciclo virtuoso de responsabilidade e conscientização, que costuma impactar consumidores, estimular as indústrias e modificar o mercado.

Advertência da comunidade científica

Inicialmente, vamos considerar o ponto de vista geocientífico. A cada novo ano, a sociedade é confrontada com as advertências do aquecimento global. Essa exposição pode estimular a consciência dos consumidores, que passam a enxergar os riscos climáticos como uma realidade cada vez mais próxima.

Conscientização social

Em um segundo momento, vem a conscientização do mercado. Esse é um processo lento, que pode acontecer com o tempo e com a insistência da comunidade científica. Após identificar os impactos de uma postura negligente, as pessoas podem começar a mudar seus hábitos de consumo, impactando diretamente nas soluções oferecidas no mercado.

Reorientação industrial

No amplo mercado, o sucesso geralmente pode estar atrelado à capacidade de satisfazer o cliente. É nesse ponto que as indústrias costumam redirecionar seus recursos, priorizando soluções que atendam à nova visão de mundo do consumidor moderno, que tende a ser mais informado, consciente e ambientalmente preocupado.

Esse é um fenômeno que pode justificar os esforços de várias empresas no mundo. Como exemplo, entre as gigantes tecnológicas, como Microsoft e Apple, há um esforço monumental para zerarem suas pegadas de carbono. Já no universo automotivo, a eletrificação caminha a passos largos, desafiando a hegemonia do petróleo.

Redirecionamento político

Assim como os consumidores têm o poder de transformar o mercado, a mentalidade de um povo também tem a capacidade de redirecionar suas políticas públicas. Por esse motivo, países com mercados e economias desenvolvidas costumam ocupar posições de destaque em abordagens e métricas ambientalmente responsáveis.

Como em um efeito cascata, a trilha aberta por países referenciais, como os Estados Unidos, por exemplo, geralmnete consegue estimular o caminho de vários outros emergentes. É assim que se cria um cenário virtuoso de transição para um modelo econômico e produtivo que seja mais sustentável.

Logicamente, isso não acontecerá da noite para o dia, e menos ainda apresentará resultados perfeitos. No entanto, pouco a pouco, a conscientização social exerce sua influência sobre a indústria e a política, modificando a sociedade, amenizando o impacto ambiental e favorecendo as soluções responsáveis.

O conceito dos Green Bonds

É por conta disso que existem os Green Bonds, no Brasil, também conhecidos como Títulos Verdes. Mas aqui, é importante destacar dois pontos:

  1. os Green Bonds são uma “espécie” de investimentos temáticos;
  2. os Green Bonds não são o mesmo queativos ESG.

O valor aplicado é usado, geralmente, para financiar projetos comprometidos com a manutenção ambiental e/ou climática. Por conta disso, é comum que alguns Green Bonds sejam acompanhados por incentivos fiscais para estimular novos investidores.

Por essa razão, um Título Verde é um investimento temático. No entanto, você não deve confundi-los com os investimentos ESG. Conforme mencionamos, a sigla remete aos ativos que atendem um alto grau de compliance em Environmental, Social and Corporate Governance.

Ou seja, os ativos ESG contam com um grupo maior de preocupações, sem se restringirem a um campo de atuação. Como exemplo, uma ação pode ser ESG, desde que a empresa por trás desse papel atenda a todos os requisitos, certificações e regulamentações necessárias para receber esse visto do mercado.

Em comum, ambas as modalidades estão em rápido crescimento — tanto ESG como Green Bonds. Afinal, os investidores também são consumidores. Isso significa que a conscientização social, explicada no tópico anterior, também impacta os agentes de mercado, alimentando a demanda por Green Bonds e demais ativos voltados à sustentabilidade no mercado financeiro.

A emissão de um Green Bond

Podendo ser um mercado promissor e em expansão, é possível emitir esses títulos com facilidade, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Mas assim como acontece com os demais ativos, os EUA oferecem maior variedade de escolha do que a vista entre os Green Bonds no Brasil.

Para se ter uma ideia da expansão desse mercado, é interessante avaliar o crescimento na emissão desses títulos ao longo dos últimos anos:

  • 2017— U$155 bilhões;
  • 2018— U$170 bilhões;
  • 2019— U$257 bilhões.

Então, se você está pensando em como aplicar dinheiro nessas finanças verdes, pode ser interessante conhecer uma lista completa desses títulos, que podem ser emitidos por órgãos públicos e privados. Como sempre, o dinheiro investido é integralmente aplicado na realização de empreendimentos ambientalmente responsáveis.

As razões para investir nesse setor

Agora, chega o momento de conhecer os principais argumentos para considerar esses ativos na sua estratégia de investimentos.

Tendência

Como explicamos inicialmente, a rota sustentável não é uma euforia momentânea. Na realidade, é um conjunto de valores e direcionamentos industriais, políticos e econômicos que poderão ser fundamentais para o equilíbrio ambiental de longo prazo. Por isso, o segmento tende a ser promissor.

Comprometimento

Da forma como percebemos, o investimento em Green Bonds é uma manifestação financeira do seu comprometimento com a manutenção ambiental. Além disso, é uma forma de proteger e nutrir o seu patrimônio enquanto você financia a melhoria da sociedade, uma situação de ganho mútuo.

Diversificação

Por serem produtos de renda fixa, os Green Bonds estão longe de apresentarem a melhor rentabilidade do mercado. No entanto, se demonstram como uma forma elegante e sustentável para a diversificação da sua carteira.

Lembre-se de que, embora a diversificação possa ajudar a espalhar riscos, ela não garante lucro nem protege contra perdas. Sempre existe o potencial de perder dinheiro quando você investe em valores mobiliários ou outros produtos financeiros. Os investidores devem considerar cuidadosamente seus objetivos e riscos de investimento antes de investir. O preço de um determinado título pode aumentar ou diminuir com base nas condições do mercado e os clientes podem perder dinheiro, incluindo seu investimento original.

Reparação

Novamente, tocamos no tema da manutenção ambiental. A conscientização é um caminho sem volta. À medida que os investidores entendem os modelos operacionais das empresas, também percebem o forte impacto ambiental, climático e econômico que essas empresas exercem na região em que atuam.

É por isso que muitos enxergam nos Títulos Verdes uma forma de contribuir para a reparação dos danos causados ao ecossistema. Afinal, o direcionamento do dinheiro desses fundos é objetivo e transparente, sendo aplicado no financiamento de projetos voltados para o equilíbrio ambiental.

Por fim, é interessante saber como você pode investir em Green bonds. Na Avenue, você consegue investir nessa classe de ativos por meio de ETFs exclusivos de bond, como o TFLO, ou os ditos ETFs do bem, que são cestas de ativos ESG, ou seja, investimentos direcionados a empresas e atividades sociais, ambientais e gerencialmente responsáveis.

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