Perdas em investimentos: como lidar com a instabilidade do mercado?

Publicado por Avenue em janeiro 27, 2021 | Atualizado em fevereiro 22, 2021
Tempo de leitura: 7 minutos

Afinal, qual poderia ser uma boa forma de lidar com eventuais perdas em investimentos? Esse é um dilema para alguns investidores, sobretudo aqueles que acabaram de entrar nesse universo, seja no mercado americano ou brasileiro. Por isso, desenvolvemos este material sobre o tema.

Para discutir o assunto com mais propriedade, contamos com a colaboração de Breno Bonani, Estrategista aqui na Avenue. Como perceberá durante a leitura, a flutuação dos mercados é algo esperado, sobretudo em períodos de volatilidade elevada.

Por que o mercado de investimentos pode ser instável?

A começar pela pergunta de ouro a qualquer investidor iniciante. Na observação de Breno, há uma explicação bastante pontual para esses movimentos. Segundo ele, a oscilação ocorre pela exposição dos mercados a fatores externos que não são controlados pelos investidores.

Isto quer dizer que todas as empresas nas quais você investe, assim como índices, commodities e demais ativos sofrem influências diretas e indiretas. Estas podem ser estimuladas por exemplo por tensões políticas e midiáticas, fatos relevantes, publicações de resultados, euforia e por aí adiante.

Além disso, é importante notar que essa é uma realidade comum a todo o mercado, já que não existe bolsa no mundo que esteja isenta das interferências, tensões e decisões de outros países e economias. Essa realidade é particularmente mais visível durante a travessia de grandes crises.

Aqui, vale lembrar do impacto causado em 2008 durante a Crise do Subprime. O mesmo vale para agora em 2020, com a Crise do coronavírus – ambos eventos de proporções globais, que atingiram todos os mercados, inclusive a NASDAQ e a NYSE, que são as maiores as maiores bolsas do mundo.

Mas não são apenas crises globais que são capazes de chacoalhar o mercado, pois tensões políticas internas também têm esse potencial. Essa é uma realidade especialmente delicada no Brasil, já que o mercado depende de uma agenda econômica mais flexível e convidativa ao capital estrangeiro.

Além disso, grandes escândalos são catalisados pela mídia, que cumprindo a função de comunicar fatos à sociedade, ventilam esses eventos ao mercado. Um exemplo é o Joesley Day, uma data tensa que foi marcada por uma queda acentuada da IBOVESPA e o disparo do Circuit Breaker.

Sendo assim, esses são apenas alguns exemplos dos gatilhos que exercem influência sobre a movimentação dos mercados. No fim, são muitas as variáveis de pressão, o que torna praticamente impossível criar um modelo capaz de prever a movimentação dos preços com extrema precisão e previsibilidade.

Como lidar com perdas em investimentos?

Agora que você conhece os principais pontos de pressão na movimentação dos mercados, chega o momento de conhecer algumas práticas para lidar com os eventuais momentos de instabilidade.

Acompanhe o mercado

Algo fundamental para um investidor ser consistente nas suas decisões é a riqueza informacional. Com isso em mente, Bonani destaca que pode ser essencial ler todos os tipos de conteúdo, não apenas jornais, mas também os resultados das companhias.

Além disso, é importante acompanhar entrevistas em que o CEO ou a própria direção comunica suas percepções sobre os resultados e/ou os avanços e/ou dificuldades que a empresa está enfrentando. Logicamente, você não precisa fazer isso com todos os ativos no mercado.

Mas é importante fazer esse acompanhamento com os investimentos que compõem a sua carteira. Por fim, é essencial aprender a filtrar as informações, destilando o que é dito pelos analistas e publicações, extraindo apenas o que é fundamental à sua estratégia.

Diversifique seu portfólio

É importante entender, desde sempre, que a diversificação é algo fundamental, pois evita a concentração do seu patrimônio em apenas um ativo, setor, índice ou mercado. Em essência, o que a diversificação faz é harmonizar o risco na sua carteira.

Entretanto, lembre-se de que, embora a diversificação possa ajudar a espalhar riscos, ela não garante lucro nem protege contra perdas. Sempre existe o potencial de perder dinheiro quando você investe em produtos financeiros.

Imagine que você estivesse 100% posicionado em Tesla (TSLA) no dia 31 de agosto. Em 8 de setembro, após uma queda considerável no setor tecnológico, seu patrimônio teria perdido 33,74%. A queda não seria tão acentuada se você estivesse posicionado 90% no ETF DIA da Dow Jones e 10% em TSLA, que esse período teria causado uma queda de apenas 6,18% sobre o valor investido.

Lembramos que este exemplo não deve ser ser considerado uma recomendação de investimento. Na realidade, serve somente para demonstrar o poder harmonizador da diversificação na proteção do seu patrimônio.

Gerencie riscos e exposição

Uma possível maneira de lidar e gerenciar os riscos da sua carteira é por meio da diversificação. Além de possivelmente blindar seu capital de uma oscilação muito forte, a diversificação também serve como elemento de exposição a outros mercados.

Por exemplo, digamos que você queira investir em tecnologia na bolsa americana, mas ainda não se sente seguro para escolher seus ativos. Nesse cenário, um ETF como o Nasdaq-100 (NDX), que compila a performance das 100 maiores tech companies da NASDAQ pode ser uma boa estratégia de diversificação.

Novamente, não é uma recomendação, mas apenas um exemplo para demostrar que existem ativos capazes de expor a sua carteira a setores inteiros, possivelmente aprimorando a sua atuação no mercado de maneira mais prática, principalmente quando falamos dos ETFs.

Entretanto, os investidores devem considerar cuidadosamente os objetivos, riscos e encargos e despesas de um fundo mútuo ou Fundo Negociado em Bolsa (“ETF”) antes de investir. Os ETFs estão sujeitos à flutuação do mercado e aos riscos de seus investimentos subjacentes. Os ETFs estão sujeitos a taxas de administração e outras despesas. Diferentemente dos fundos mútuos, as ações da ETF são compradas e vendidas pelo preço de mercado, que pode ser maior ou menor que o seu NAV, e não são resgatadas individualmente do fundo. Os retornos do investimento variam e estão sujeitos à volatilidade do mercado, de modo que as ações de um investidor, quando resgatadas ou vendidas, podem valer mais ou menos do que seu custo original. Os ETFs estão sujeitos a riscos semelhantes aos das ações.

Cuide do seu emocional

A decisão de abrir conta em uma corretora americana e começar a investir deve ser tomada com base na tranquilidade que a decisão trará no longo prazo. Investir deve ser uma atividade fácil, antecipada e até mesmo prazerosa – e não estressante, complexa e confusa.

Por isso, escolha ativos com os quais você se identifica. Afinal, a aplicação do seu dinheiro não é apenas uma prática com o intuito de rentabilidade, mas também um voto de confiança dado à empresa escolhida.

Quando você lê os resultados da empresa, identifica boa índole na diretoria, percebe o comprometimento com a transparência e acredita no seu potencial de longo prazo. Além disso, as instabilidades momentâneas do mercado podem parar de exercer um efeito tão forte sobre a sua tomada de decisão.

Por fim, vale dizer que a volatilidade também pode ser vista como algo positivo. Como exemplo, o S&P 500 atingiu sua mínima anual em 23 de março, marcando 2.237,40 pontos. De lá a 11 de setembro, o índice americano já decolou mais de 49%, apontando a disposição do mercado americano na trajetória de recuperação econômica.

No fim, crises também podem ser um cenário oportuno a quem pretende investir. Agora que você tem uma boa noção de como lidar com eventuais perdas em investimentos, aproveite para sofisticar a sua estratégia de atuação no mercado, conhecendo mais nossa plataforma.